Eugene Faon

Haicai – Um pequenino poema

 

Através de um distinto e pequenino poema, denominado haicai, quaisquer temas de interesse do seu autor, poderão ser alcançados para compô-lo. De distinta chamo tal pequenina obra poética, por não conseguir encontrá-la bem definida, entre os seus demais semelhantes que conheço, entretanto, antes de concebê-la, ao dispor desses tantos temas que há, e que sustentam a sua base, o autor haverá de escolher entre eles, aquele que pode levar o leitor a uma edificante reflexão, ou ao menos, a uma exortação, logo, se é para edificar, é de ficar feliz aquela pessoa que algum haver a ver essa diminuta obra poética, receberá... E mais, para que isso se dê, tal exíguo trabalho literário,  ao se concretizar, necessariamente, deverá se submeter a três precisas e estanques regras, quais sejam:

1 - Cada um daqueles haicais haverá de se fundar  em uma estrofe única formada apenas por três versos, ou seja, cada um desses poemetos se comporá de apenas um terceto.

2 – Desse trio de versos, o primeiro e o terceiro, individualmente, se comporão de cinco sílabas poéticas, e entre si, hão de rimar; já o segundo verso, se encerará em sete sílabas poéticas, e mais, por sua própria feição, a sua segunda sílaba — que sempre haverá de ser tônica — rimar-se-á com a sua própria sétima sílaba.  

3 - Ou o primeiro verso, ou o terceiro que compõe aquele haicai — fundado no tema que lhe deu origem — se expressará através de uma asserção que tenha um sentido absoluto, senão aparentemente dessujeito dos demais dois outros pares seus, contudo, com esses ele se interligará, e mais, esse verso ímpar, haverá de carrear uma mensagem que em si, poderá ser clara ou subliminar.

Entre esses dois versos — o primeiro e o terceiro — excluído aquele que detém aquelas características preconizadas logo acima, o outro, para se fazer bem compreendido, dependerá do segundo verso; com isso, esse verso terá naquele o seu complemento.

Em situações singulares (o que suscita maior dificuldade e não menor trabalho à sua concepção) os dois versos — o primeiro e o terceiro — que compõem aqueles haicais, de forma distinta e indiferentemente, poderão servir de complemento ao segundo verso, porém, ao fazê-lo, cada um daqueles versos haverá de manter a sua expressão própria e independente.

 

 Vê abaixo um exemplo de haicai que se submete às normas e preceitos impostos acima; e logo em seguida, hás de notar dois outros espécimes que contemplam aquelas ditas “situações singulares”:

 

Palavras vis

 

Atente ao ouvido!

Se vis palavras ouvis

Lançai-as ao olvido

 

Oh Nau!

 

Mar! O que flagraste?

De vela alta e quilha leve

Oh nau! Naufragaste

 

Más decisões

 

Mau vem de cisões

Defere bem, e o mal fere

Há más decisões...

 

Se desejares ver mais alguns haicais meus? Entra entre os títulos, que abaixo se encontram, e toca naquele que mais te aprouver; se o fizeres, ainda que seja ao acaso, ao ocaso, jamais lançarei a tua intenção.

 

— A mais

— A menos

— À Morte — a minha última senhora...

— Ano novo

— Ao céu não há de ir

— As mágoas afogas

— Às traças...

— Beije-me

— Beijo-te

— Crê no céu!

— Desistir de existir não posso...

— Eltras trocadas

— Em viver hesito

— És fria!

— Livra-te da ofensa

— Mentiras

— Não toca o presente...

— Por salutar altivez, por vez, oporias às aporias...

Que pose é essa?

— Uai! E esse aí?

— Vinde comigo...

— Vives de vaidade