Dispenso elogios, aceito remendos...

Escrito por Eugene Gaon
Acessos: 811

 

 

  

Este texto retrata o meu honesto desígnio, qual seja me livrar da mina vaidade, entretanto, por duvidar da força do meu próprio caráter, receio que a minha vontade imperiosa, não passa de veleidade perniciosa...

 

Por imoderado e essencial desejo que temos os homens de atrair admiração ou homenagens, sofrimento a menos do que mereço, tenho tido, logo, para sofrer ainda menos, menos presunçoso desejo ser; sei que para não ficar apenas com esta vã presunção, devo dispensar elogios, ainda que os tenha por um bom adubo, pois bem sei que eles podem dar vigor à planta em crescimento, contudo, a erva daninha chamada vaidade, muita vez, entremeada na seara, onde se cultiva a verdade, ao desfrutar do mesmo trato cultural, poderá ter seu viço aumentado, logo, logo cedo, essa praga se alastra e solta suas inflorescências, com isto não tardará a dar seus maus frutos; a ser assim, devo dispensar elogios, mas, por vez, tenho esta dúvida: talvez aquela erva invasora, aos poucos, fora me envolvendo em suas gavinhas, fazendo germinar em meu coração, o seu fruto legítimo, a falsa modéstia... Portanto, por tanto pensar, sem pesar, dispenso elogios, mas, aceito remendos, contudo, os recebo com algum dissenso, visto que antes de serem aplicados, exige-se cautela, pois se o tecido que os compõe, for fraco, de início, repara-se o dano, mas em seguida, abre-se um grande roído, ao tentar tapar um pequeno puído.

 

PS - Fiquemos atentos! Muita vez, elogio não passa de um negócio reles do tipo − Pro amphora urceus − ou seja, “O pote pela ânfora” ou ainda, “Uma bilha de leite por uma bilha de azeite”.