Às mulheres e aos homens...

 

A amizade dos homens, se perder, hei de dispensa-la sem ressentimento;

Quanto à das mulheres, se não puder conserva-la, lamentarei;

Por conta desta ou daquela penhora,

Não me desespero,

Pois, sem nenhuma mora,

Por saber que há Deus, adeus a todos dizer espero.

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.


Como o sexo oposto! É lindo!

 

 

Como o sexo oposto! É lindo!

O título que está acima,

Logo, logo, ou a qualquer momento,

Se estás por baixo a compor a gentalha, lerás, sem nenhum discernimento, tal qual se apresenta;

Mas, se não tens no lugar do cérebro, a genitália,

E quiseres, ou antes, se puderes obter ponto, ação apropriada terás, ao notar,

Que me enganei na pontuação, logo,

Assim deverá ser escrito:

Como o sexo oposto é lindo!

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.


Não queiras gostar de mim...


Confesso! Às paredes nada tenho a dizer, ou antes, nada devo revelar,

Ainda assim, a confissão seguinte, delas pude alcançar:

- Antônio já não está a fazer milagres!

Antônio! Diz-me: Perdestes o tino?

Ou não atinaste, que mesmo nas celas, a selar o nosso destino há malhas?

Ou de Amália, às palavras, não deras crédito?

Antônio! Não me enganaram as paredes, pois, a vagar em vão pelo porto, vejo-te sempre assustado, pois, às vagas, já não tens mão.

Antônio! Não estão a me enganar as paredes, pois, do porto, o vinho, às escondidas, tendes a tomar.

Antônio! Nada dizem as paredes sem causa,

Pois, vejo que já não conténs o vento frio a acoitar as poucas folhas verdes. 

Antônio! Sabe:

Ainda que em algum beco da Alfama me oculte, ou busque refúgio na Baixa, por entre seteiras abertas do seu solar, por ciúmes das flores, ou por inveja de ti, está a lançar-me setas, o teu par.

Antônio! Não queiras gostar de mim, sem que eu te peça, ainda assim, por mim,

Cinge-te com a força que vem do alto, pois bem sabes que pelo amor cinde-se muralhas, e faz-me um milagre, ainda que seja o teu último:

Faz surgir nos limites do castelo de Jorge, a caminhar por uma de suas tantas ruelas, uma linda Flor...

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.


Se sãos são os meus pensamentos...

 

Se meus filhos fossem cachorros, não lhes daria diferente tratamento; trato, naturalmente, dispensado a eles, o mesmo não poderia ser... Cachorros? Sim! Ainda que eu saiba: Se eles tentassem sê-lo, selariam uma grande frustração, pois, por maior desejo que tivessem, naturalmente, não alcançariam êxito, mas, por estranho gáudio seu, por tais, por traz de seus rostos humanos, muita vez, que de máscaras lhes servem, passam.

Se sãos são os meus pensamentos, sã está a minha mente, demente, logo não estou; a ser assim, logo mais, ou até neste instante - o que melhor haverá de ser - ou ainda em qualquer tempo que brevemente há de chegar, hei de admitir que aos olhos de quase todas as pessoas, tão somente sob o jugo do extremado ócio, ósseo parágrafo - o que antes deste está - poderia ter concebido.

Por ter domínio sobre este espaço onde deito minhas letras, ou antes, onde as deixo de pé e à ordem, antes que outrem ninguém possa rosnar, justifico-me pelo que já dito fora:

Tenho três filhos, ou para ser mais explícito, e de explicações maiores me livrar, digo: gerei três semelhantes meus. São dos dias de hoje, ainda que concebidos fossem há pouco mais de três décadas. Se não são esses de ontem, quando não ignoram, desprezam o que só do passado bem poderia sustentar o presente; a ser assim, se família e sociedade andam juntas, ou antes, se antes, vêm as famílias, e se se desmantelam estas em suas bases ruídas, ruirá a sociedade do provir que por vir ainda está...

Falemos às claras:

- Que é da sua bênção meu pai?

Pai pouco se ouve; houve tempo que mais se ouvia. Não se pede bênção - Deus lhe abençoe meu filho, com efeito, vê-se menos.

- Pai, o senhor...

Sumiu o senhor, desapareceu o papai; o pai está órfão, pois, se se perdeu esse pronome, até que adormeça no Senhor, não há quem possa  reencontra-lo.

- Pai, sê tá por fora há tempo; eu é que tô por dentro; dá um tempo!

Esqueceram-se, ou jamais souberam que “as noites de claro em claro e os dias de escuro em escuro*” que por eles passamos, e poucos não foram, quase nos cindiram o juízo, portanto, se para entrar em um canil estou por fora, de fora dele quero ficar...

- Canil?

Reveja o título deste texto, e veja, ao menos, os dois últimos parágrafos do mesmo, que se sequem:

Em respeito aos meus filhos pouco mais direi, pois, muita vez, destes ao receber suas visitas, abanam os seus rabos para mim... Quando então, por gosto, ao me fazer presente entre eles, lhes retribuo com o meu carinho; não só lhes ofereço carne boa, naturalmente, não desossada, a compor mesa farta, mas, mais fausta cama deixo-lhes à disposição; ainda assim, apesar deste fiel zelo que peso nenhum me traz, em situações semelhantes, contudo, não frequentes, meus rebentos a rosnar mostram-me os dentes, entrementes, não lhes jogo pedras, não lhes dou pontapés; pé ante pé, deles saio logo de perto...

Querem os incautos filhos, tratamento mais carinhoso que este, que aos cães é dado, pelos prudentes humanos?

 

* - Da pena do meu queridíssimo Cervantes, saíram estas referências ao meu amantíssimo “Cavaleiro da Triste Figura”.

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.


Por ser demente, de mente fraca...

 

Àquele que mente, a verdade ao se dispor, com a dificuldade sempre conta! A ser assim, por ser demente, de mente fraca, não faço conta...

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita; se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos não farei.