O fim, ao fim imediato...


Se espúrio for o meio, sem meio-termo, o fim, ao fim imediato, deve chegar...

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.


Ah Tempo!

 

Ah Tempo, há tempo que és sábio e cruel com as tuas intenções! Pois, quando as magoas não pensas, pensas em desbotar as recordações...

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.


De mim não tenhas pena, apenas...

Para me livrar - espero que tenha êxito - da natural inclinação que tem o vento para lançar ao ar os textos, ao texto maior que ainda virá, deixarei atrelado este pequenino poema-confisão que pelo feitio próprio que tem, poderá resistir, ao menos, a uma suave brisa...

 

“Das ásperas cidades, muita vez, nada estou a desejar,

Mas, por mais que assim o queira, aos seus encantos sou obrigado a ceder,

Logo, ou a todo instante, quando o faço, decepciono-me ao perguntar:

Que é do verde? Pois, ver de perto a sua cor é o meu querer.

Que é do ar incolor aos olhos meus? Pois, o cinza não consigo respirar.

Que é do insípido ao meu paladar para que água eu possa sorver?

Que é da leve brisa? Pois, o peso da fuligem, minha pele não pode suportar.

Que é do azul do céu a anuviar os meus olhos quase que a me solver?

Que é do silêncio das noites a distender o brilho do luar?

Que é do mar esmeralda que me arrasta à esperança de viver?

Que é do sorriso livre do meu próximo preso ao ignorar?

Que é da minha iniciativa para o mal em bem reverter?

Que é de tudo que desejo e preciso encontrar?

Por fim, de início, só deveria ter pedido a um Ser:

Senhor! Por tanto indagar,

De mim não tenhas pena, apenas dá-me o que eu merecer.”

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.


As nossas mãos...

 

Este poema custa-me a revelar, pois, velar as nossas mãos a outrem, antes deveria...

 

Só agora, depois que quase meio século se findou, fim dou à uma indecisão:

Falo das nossas decrépitas mãos?  

Ou das nossas jovens mãos devo falar? 

Ou ainda, do pudor, devo ultrapassar a fronteira,

para livremente comentar,

tão somente sobre as mãos de uma de menina, que fora a minha paixão

primeira?

 

Decidi: Falo dos nossos dissimulados olhos que aos ingênuos olhares, se

encontravam atentos

pois, sob a mesa em um tórrido conluio,

nossas mãos estavam às ordens de cálidos alentos.

 

E entre nós, estava o olhar do irmão, que de quando em vez,

voltava-se ao nosso jogo, admirava-nos, e creio, assim nos julgava:

– Que destro casalzinho! Só com as mãos sinistras, a jogar xadrez!

 

E ainda havia entre nós, também, tão bem acordados,

os olhos da irmã mais velha, que a recordar da sua própria experiência,

vez ou outra, ou antes, sempre, à denúncias os deixavam vendados,

ainda que se agastasse a gastar a sua minguada paciência...

 

Lembrou-me ver mais um par de olhos:

os doces olhos da mãe; agora míopes e cansados,

estavam incapazes a suspeitar das mãos novas,

pois, as suas quando jovens nos dias velhos e apagados,

não ansiavam por ariscadas provas...

 

Por fim, falo dos olhos de uma outra irmã, ainda inocentes,

portanto, incapazes a perceber da libido, o mais leve ato.

Olhos ingênuos! Quando não se ocupavam com as bonecas, ao alcance

das vistas, deixavam um gato.

 

Animal impertinente! Não era da casa, antes, a casa lhe pertencia.

não bastasse seu aguçado faro aos sutis odores e ao mínimo movimento,

a quebrar a cadência das nossas lépidas mãos, eriçava a calda e entre os

nossos pés, permanecia.

Contudo, para nos compensar por tanto tormento,

o vira-lata à-toa, latir nem mesmo atinar podia.

 

Voltemos às nossas mãos, as direitas.

Mãos ativas e excitadas, que sob a mesa, foram audazes,

agora, de volta ao seu lugar habitual, chegavam quase refeitas,

porém, ainda que estivessem um tanto flácidas, para dissimular o intenso  

brilho dos nossos olhos, foram capazes...

 

 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua leitura; se os seus olhos alcançarem mais textos meus, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei do seu olhar.

 

Aos homens e às mulheres...

 

 Quanto aos homens, sua mente tira mentira da verdade, para a realidade abscindir;

 Logo, logo, ou a todo tempo, da sua amizade, sem ressentimento, irei prescindir.

 Quanto à das mulheres, se não puder conserva-la, lamentarei;

 Por conta desta ou daquela penhora,

 Não me desesperei, se acaso, isso vier a acontecer.

 Pois, sem nenhuma mora,

 Por saber que há Deus, adeus a todos - menos a Ele - desejo dizer.

 
 

PS - Fico-lhe muito obrigado pela sua visita. Se ler mais, ainda que seja por acaso, caso a menos, não farei da sua atenção.